Abaixo você pode conferir a biografia exclusiva do Faith No More!

Faith No More - Quem se importa com essa história?

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por Pablo Fernandez*

Capítulo 2: 1985 - 1988

PARTE 6 - We Care a Lot!

Depois de assinar com a Mordam Records de Ruth Schwarz e com os Gerrard representando a banda, o FNM finalmente faz seu primeiro registro sonoro: We Care A Lot. O álbum foi gravado e mixado em 3 finais de semanas sucessivos, com Matt Wallace produzindo o álbum. Já nessa primeira sessão de gravação, a banda começou a perceber algumas das limitações do vocalista Chuck Mosely: por várias vezes durante as sessões ele "perdeu" sua voz, mas no fim das contas a banda ficou bastante satisfeita com o resultado.

Com o álbum gravado, os Gerrards trataram de agendar uma turnê pela América, passsando por Clubs de várias cidades. Para esta turnê, Olga e Gerry alugaram um Dodge 1966 com um trailer para transportar a banda, o equipamento e o roadie (!). Pelo visto, esta primeira turnê não seria nada fácil.

E não foi. Viajando de costa a costa, o FNM foi tocando em vários muquifos, e quando recebia alguma coisa, esse dinheiro mal dava para ser dividido entre a banda. Outro fator que estava prejudicando bastante era que a Mordam Records, por ser uma gravadora indie, não estava distribuindo apropriadamente o We Care A Lot. Com isso, a banda chegava nos locais e ninguém os conhecia. Segundo relatos de Billy, a banda chegou a passar uma semana com apenas dois dólares para sobreviver.

Isso fez com que a banda ficasse cada vez mais frustrada com o trabalho da Mordam. Ao mesmo tempo, os empresários se mostravam tão inexperientes quanto a banda. Isso acarretou em várias acontecimentos em um futuro não muito distante. Mas uma luz aparecia no fim do túnel. Bob Biggs, dono da Slash Records - uma bem sucedida gravadora de LA, afiliada da Warner Bros. - via algo diferente na banda, e propôs ao FNM que eles assinassem ela. Por estarem insatisfeitos com a Mordam, o FNM acabou trocando de gravadora e assinou com a Slash. Pela assinatura do contrato, a banda recebeu 50 mil dólares de adiantamento para a gravação do seu segundo álbum (que seria o Introduce Yourself). Junto com o aumento do ganho de grana, aumentou também a desconfiança da banda em relação ao trabalho dos Gerrards.

A banda não tinha experiência alguma com empresários, e começou a achar que o casal Gerrard estava passando eles pra trás, ganhando uma comissão maior que a devida. Nesta época, o baixista Billy estava morando com o casal, e acabou misturando vida social com negócios.

A desconfiança só aumentava, o clima de animosidade entre as duas partes só crescia e então a banda decidiu demitir os empresários. Os empresários acabaram processando a banda de volta, pedindo 1,6 milhões de dólares pelo trabalho que foi "feito". No fim, a banda precisou pedir vários empréstimos aos pais para poder pagar os Gerrard, e este valor só foi pago de volta no fim de 1990, depois que o The Real Thing ganhou disco de ouro. Para vocês verem, não foi pouco! Ah, e eles tiveram que cobrir a parte do Chuck Mosely, que acabou não pedindo emprestado pros pais...

Logo depois de acertar a rescisão, a banda acertou com Warren Entner, um bem sucedido empresário de LA, que já havia agenciado a banda Quiet Riot. Com Warren, as coisas se tornaram um pouco mais fáceis nos negócios para o FNM. E agora, com gravadora e empresários novos, finalmente o FNM poderia deslanchar seu som diferente e único para o mundo, sem ninguém para atrapalhar isso. Mas não foi bem assim...

PARTE 7 - Chuck Introducing Himself

Chega 1987 e o FNM, agora pela Slash Records, e com um bom adiantamento, entra em estúdio para gravar o seu segundo álbum, o Introduce Yourself. Mas a gravadora não tinha muita confiança na banda e no seu novato produtor, Matt Wallace. Para se certificar que eles não fariam nenhuma porcaria, a Slash obrigou a banda a contratar, como produtor, Steve Berlin, da banda Los Lobos (aquela da música La Bamba do Ritchie Valens) Ele acabou como "baby sitter", porque não fez absolutamente nada no álbum.

O álbum foi gravado e mixado em 3 semanas. Já nas sessões de gravações, um preview dos problemas que viriam a confrontar a banda com Chuck: sempre alheio a tudo, despreocupado com a voz, nunca se cuidando. Mas, mesmo assim, Chuck gravou ótimos vocais para este álbum.

Apesar de ser um ótimo álbum, Introduce Yourself não recebeu muita atenção nos EUA, que na época estava invadida pelas bandinhas pop-rock. O FNM gravou um vídeo para a a nova versão de We Care A Lot, mas a MTV passava a música somente pela madrugada. Ao contrário dos EUA, o álbum estava indo muito bem na Europa, o que levou a banda a fazer uma tour por lá alguns meses mais tarde.

Mas um dos fatores que fez a banda não acontecer nos EUA foram os acontecimentos na festa de Release do Introduce Yourself, em Los Angeles. Chuck Mosely simplesmente desmaiou no palco de tão bêbado que ele estava. Uma cena patética e que prejudicou muito a banda durante um bom tempo, sendo ignorada pela imprensa musical nos EUA.

Depois disso, mais três turnês de verão de Van e Trailer pelos E.U.A, onde o aperto na condução e a convivência diária fizeram com que a banda brigasse e discutisse varias vezes durante estas turnês. A terceira turnê, com os Chili Peppers, foi um pouco menos brigada, muito em parte pelo vocalista Chuck admirar bastante os Chili Peppers. Em tempo: grande parte das brigas era ocasionada pelo comportamento de Chuck, que passava grande parte do tempo chapado e bêbado, nunca ensaiando direito com a banda. Numa destas turnês pelos EUA que o FNM foi tocar em Arcata, na Humboldt State University. Neste show, 3 jovens nerds e tímidos, que tinham uma banda nesta cidade local, foram para ver o FNM (banda predileta de um deles). Logo após o show, o baixista desta banda, chamada Mr. Bungle encontrou com o batera Puffy Bordin. que naquela hora estava procurando por maconha e foi perguntar à eles se algum deles a possuía. Pois eles falaram que não, e aproveitando o momento eles entregaram ao Puffy uma demo tape e falaram: "hey man, escute isso aqui pois é que é o metal de verdade por estas bandas". Puffy, obviamente, acabou dando esta fita de "metal" para Jim Martin, que mais tarde ficaria obcecado por esta banda de garagem.

Depois desta turnê, o FNM foi pela primeira vez para a Inglaterra, onde o álbum vendia relativamente bem e, devido aos solos e guitarras ultra-pesados de Jim Martin, a banda logo foi classificada como METAL! Assim, aparecia em várias revistas de HEAVY METAL!! Logo a banda de Billy, que era totalmente contra isso! Mas faz parte...

Na Inglaterra continuaria, e com mais freqüência, as brigas da banda com Chuck Mosely. Chuck parecia cada vez mais desligado da banda, sempre bêbado, sempre enchendo o saco dos outros. Na primeira entrevista que o FNM deu pra famosa revista britânica Kerrang!, de tão putos que os integrantes estavam um com os outros (além de bêbados), todos resolveram, ali mesmo, falando com o jornalista, lavar a roupa seja, literalmente! Uma situação (ruim) foi criada ali e isso acabou tornando algo muito comum nas entrevistas da banda: falar o máximo de merda possível da própria banda - e dos outros também.

Voltando da Europa após esta primeira turnê, vieram os primeiros reviews e a grande maioria deles falava mal da voz de Chuck. Sim, ele era um grande frontman, mas infelizmente era só isso. Este fato deixou Chuck ainda mais despreocupado com tudo. Isto foi o início do fim para ele.


PARTE 8 - Dos xingamentos pra porrada

Chega o ano de 1988 e a situação na banda está piorando. Billy, a cada dia que passa, sente mais raiva de Chuck, assim como Puffy. Jim Martin também não está nada satisfeito com a situação e Roddy não demonstra muita preocupação com o assunto.

Com a grande parte da crítica britânica falando mal da voz de Chuck, Chuck pede a banda um auxílio para poder tomar lições de canto, para ajudar a desenvolver melhor sua voz. A banda dá o dinheiro, mas Chuck nunca foi se matricular em curso algum. Mais uma vez, cheio das desculpas e eteceteras, Mosely acabou no "deixa disso" Até que a situação acabou descambando de vez.

Num ensaio, no começo do ano, de tão irritado com a atitude de Chuck que, no meio de uma música, Billy soltou o baixo no chão, desligou o amplificador e partiu pra cima de Chuck pra enchê-lo de porrada. A banda apartou e, depois disso, Billy anunciava: "não agüento mais essa merda, eu to caindo fora da banda" E saiu do local. Puffy saiu para conversar com Billy e falou que também estava muito incomodado, mas apenas com Chuck. Então os dois meio que decidiram que teriam que aturar Chuck por mais alguns meses, apenas para completar a segunda turnê pela Europa (que já estava sold-out). Depois disso, certamente chutariam Chuck da banda. Billy acabou desistindo de sair da banda.
Antes disso, em um show em New York, nos intervalos das músicas Billy aproveitava a falta de luz no palco para socar Chuck. A situação realmente estava feia.

Já de volta a Europa para a segunda turnê, Chuck continuava com o mesmo comportamento de sempre, um pouco pior até. A banda se reuniu para falar sobre Chuck e apenas Roddy era contrário a saída de Chuck, por comodismo. Mas como era tudo uma democracia, Chuck já era praticamente carta fora do baralho. Entretanto, ainda restava uma longa turnê pela frente...

Pois foi em hotel em Londres que começaram os desentendimentos físicos entre Chuck e o resto da banda (além de Billy). No hall do hotel, por uma razão desconhecida, Jim Martin e o roadie da banda acabaram saindo na porrada. Jim acabou quebrando a mão no episódio, tendo que tocar praticamente toda a turnê com fitas colando os dedos quebrados. Chuck ficou completamente transtornado, já que este Roadie era o melhor (e praticamente único) amigo dele ali durante a turnê. A banda acabou substituindo o roadie e isso deixou Chuck transtornadíssimo. E também as discussões entre ele e Chuck aumentaram, até que os dois também caíram no pau na frente de Billy e dos dois empresários do FNM, Warren Entner e Jon Vassilou. Estava na cara que Chuck não tinha mais clima para continuar na banda. Mas a turnê acabou continuando, mesmo com vários fatos acontecendo. Chegou ao cúmulo de Chuck nem entrar no palco para os shows: ele ficava cantando atrás das cortinas mesmo.
Logo após o fim desta turnê, já de volta aos EUA, a banda se reuniu com seus empresários e resolveu demitir Chuck Mosely por telefone. Roddy foi escolhido para transmitir a noticia para ele. Chuck processou a banda e conseguiu um valor bem gordo sobre os ganhos de direitos autorais da banda, já que todos eram indicados como compositores de todas as músicas. Levou quase um ano para a banda juntar o dinheiro para pagar Chuck.

Chuck Mosely era de fato, um grande performer, um cara não tão talentoso com sua voz, mas era muito carismático e um belo letrista. Talvez ele não tenha dado certo por ter medo do sucesso, de fracassar. Mas isso nós nunca saberemos ao certo.

Com a saída de Chuck, a banda teve que correr atrás de um novo vocalista. Era quase final de 1988 e a banda tinha praticamente 20 músicas do seu novo álbum prontas. Mas, sem ninguém nos vocais. Quem poderia ser capaz de substituir alguém que, mesmo completamente desinteressado, era um carismático vocalista? Bem, essa pergunta será respondida no próximo capitulo desta história!

* Pablo Fernandez é mantenedor do site Bungle Weird - www.bungleweird.com

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