Entrevista:
(Perguntas e fotos por Richarley Menescal)
Antes de tocar pela primeira vez no festival Ceará Music 2004, em Fortaleza, a vocalista Pitty e o guitarrista Peu concederam essa entrevista para o Underweb e Brazilian Sabor. Confira logo abaixo, em primeira mão, o bate papo eles tiveram sobre a carreira, internet e, claro, o tributo:
UNDERWEB: Há pouco tempo atrás você ainda estava batalhando no Underground por vários anos com o Inkoma. Como você avalia agora todo esse sucesso dessa sua ainda recente empreitada com o novo grupo?
PITTY: As vezes eu fico pensando, dois anos é recente? Será? Pois o disco foi lançado há (praticamente) dois anos... É recente?
UNDERWEB: Eu acho...
PITTY: Pro lançamento do disco eu não acho. Na verdade, nesses dois anos foi um trabalho bem gradativo. Um passo depois do outro... constante, intenso e kamikase (risos). Mas, é... se for comparar com os 10 anos que passei no Inkoma, realmente foi mais rápido. Mas cara, não sei... a gente veio com a proposta de fazer um som mais pesado, uma parada bem diferente do que as pessoas estavam acostumadas a ouvir naquele momento e do que tava rolando na rádio normalmente. Acho que isso contribuiu para que neguinho ficasse meio de orelha em pé.
UNDERWEB: E como foi a receptividade das bandas de Salvador para esse seu sucesso?
PITTY: É, a galera se amarra. Na verdade todo mundo se sente bastante representado e se sente um pouquinho com a gente. E eu sempre faço questão de trazer eles o mais perto possível. Então eu acho que esse é um dos grandes motivos de que... a galera torce, fica feliz, chora quando a gente ganha as paradas, sacou?
PEU: Sabe quando o Brasil ganha a copa do mundo e que vai pra rua comemorar? Quando a gente consegue as coisas legais a galera vai nesse nível assim... Nesse ano quando rolou o Festival de Verão, lá em Salvador, que é um festival pra 50 a 70 mil pessoas com várias bandas de rock, e mesmo estando por lá há vários anos, foi a primeira vez que convidaram a gente. E quando encontramos o pessoal do rock lá, nós viamos nos olhos deles que eles tavam se realizando junto com a gente.
UNDERWEB: E também a questão de amizade e união da galera da cena de lá, certo?
PITTY: Pô, pela questão de realmente conhecer a gente na essência, sacou?
PEU: Mas não é só a questão de amizade, é de respeito também. Foi aí que a gente percebeu que apesar de ter havido esse crescimento, a gente não perdeu o respeito da galera, pelo contrário.

UNDERWEB: E sobre o festival que você tá produzindo em Salvador...
PITTY: É o Admirável Rock Novo. Somos nós e mais três bandas da cena – Sangria, Los Canos e Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta. São três bandas relativamente novas na cena, algumas com uma galera que já teve outras bandas... Mas foi uma iniciativa nossa, que desde o começo do ano que a gente vem tentando fazer um show em Salvador e não teve nenhuma proposta que valesse a pena. Então resolvemos fazer um festival, porque a gente une o útil ao agradável... a gente toca e aí já consegue trazer uma galera nova da cena pra tocar com a gente.
UNDERWEB: E você tem a intenção de estender esse festival no futuro? Se ele der certo chamar bandas novas de fora da Bahia também?
PITTY: A idéia é dar o primeiro passo e ver o que rola. Há a idéia de levar para outros estados também e nesses locais tocar com outras bandas novas de suas (respectivas) cenas também. E repetir ele em Salvador também, não sei a periodicidade, mas a idéia é que vingue, o que a gente só vai saber quando rolar mesmo.
UNDERWEB: O trabalho de vocês tem uma grande divulgação pela internet, tanto pelo seu site oficial, constantemente atualizado quanto outros projetos como o Angel Dust, referencia óbvia ao Faith No More...
PITTY: Total! O lance é que eu uso a internet de uma forma muito ativa, eu a considero realmente como uma grande biblioteca, uma grande fonte de informação. Conheci muitas bandas através da internet... porra, quando eu to escrevendo algum texto e to com dúvida em alguma palavra uso o dicionário na internet, tudo ali, sacou? Quando eu quero saber da vida de algum sujeito que eu li o nome dele em algum livro e não sei quem é, eu vou lá e pesquiso. Então é realmente onde eu adquiro bastante conhecimento e foi natural que a gente começasse a fazer algumas coisas assim, virtuais. Fiz a parada do Angel Dust, pintou essa parada da coletânea do Faith No More (Brazilian Sabor). Eu considero um meio de informação muito democrático e ainda acessível... tudo bem, se você for levar em conta que a maioria da população não tem computador nem internet em casa, mas vamos que muita gente tem, e essas são muitas vezes formadoras de opinião e vale a pena da gente se interar mesmo nesse meio.
PEU: É, e levando em consideração que a internet pode se popularizar tanto quanto a televisão, dentro de alguns anos, eu fico muito feliz porque é uma das coisas que a gente mais precisa pra poder evoluir. Pras pessoas terem acesso a informação, mesmo na periferia, mesmo nos estados onde não tem uma rádio de rock tocando os estilos que você mais prefira ouvir. E em qualquer lugar do mundo é uma informação global, acessível, fácil...
PITTY: E não uma informação canalizada, pronta... uma informação que você pode buscar, pesquisar.
UNDERWEB: No começo do ano vocês diziam que a meta era de entrar em estúdio já nesse segundo semestre. Por que acabou não rolando?
PITTY: Na verdade acabou sendo adiado porque a gente viu que o disco ainda tinha muita coisa pra render. A gente ficou na pilha de fazer mais clipes e deixar o ano acabar mesmo, sacou? A coisa foi andando com o (Admirável) Chip Novo e a gente foi junto!
UNDERWEB: A nova meta então quando é?
PITTY: A gente ta pensando em Fevereiro (2005), começar a gravar e tal ainda no primeiro semestre. Mas é isso, esses prazos tão sempre se readaptando.
UNDERWEB: Então, pra fechar, queria que você falasse um pouco da sua participação no Brazilian Sabor, já que pra nós mesmos foi uma surpresa quando você entrou em contato.
PITTY: É porque o negócio é o seguinte cara: pra mim é muito positivo estar sempre perto desse tipo de iniciativa. Não importa se é gratuito, se é pago, o que importa é a satisfação pessoal. Na verdade, meu melhor prêmio é poder recriar uma música do Faith No More, que é uma das bandas que eu mais amo na minha vida. Pô, e eu achei foda a iniciativa. Achei que reuniu bandas legais. Quando a Nancy me falou, no outro dia eu mandei um email pra você:“Porra, deixa eu participar, pelo amor de Deus!”. (risos)
PEU: Faith (No More) é foda cara. Pedir pra gente tocar Faith é como oferecer banana para os macacos.
PITTY: Com certeza, pra gente é como um parque de diversões! (risos)

Para o tributo Brazilian
Sabor, Pitty gravou uma versão
para Digging The Grave, do álbum
King For A Day, Fool For A Lifetime (1995). Para
conferir, vá em Downloads!
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